segunda-feira, 25 de março de 2013

Partido Comunista Brasileiro - 91 anos!



O Partido Comunista Brasileiro, PCB, fundado em 25 de março de 1922 é a agremiação política brasileira, mais antiga e implacável na luta pela construção da sociedade socialista. Estamos completando verdadeiramente 91 anos de luta ao lado dos trabalhadores.
Nós, os comunistas do PCB, lutamos contra os privilégios das elites para quem as leis e os governos se curvam enquanto retiram direitos dos trabalhadores. Defendemos uma sociedade livre e sem classes, onde todos possam de fato realizarem-se plenamente.  Nós, do PCB, não recuamos nunca na defesa do comunismo como único caminho para a emancipação humana.

Nesse ano que completamos 91 anos, convidamos todos os que desejam lutar por uma sociedade nova, onde não exista a perversa divisão entre ricos e pobres, onde a exploração seja banida e onde a vida ganhe sentido na forma de pleno desenvolvimento humano, a conhecer o PCB.

Partido Comunista Brasileiro - PCB - 91 anos de luta
www.pcb.org.br

Em Brasília
Edifício Venâncio V - CONIC - Sala 311
            Contato: (61) 33232226
pcbnaunb@gmail.com

segunda-feira, 11 de março de 2013

A questão do conhecimento no século XXI

Por Raquel de Almeida Moraes*


No capitalismo em crise, a produção e a posse do conhecimento torna-se ser fator determinante no grande tabuleiro de xadrez mundial.
Marxistas e pós-modernos disputam sua apropriação e difusão.  Enquanto os pós-modernos como Lyotard (1989) defendem que a ciência é feita por dissensos, é um jogo de linguagem onde vence o mais capaz de produzir algo rentável, competitivo e protegido por patentes, os marxistas argumentam que o conhecimento é intrinsecamente não apropriável pois tem por base o trabalho social.
De acordo com Mattelart (2002, p. 121), a referência ao termo “Sociedade da Informação” aparece subrepticiamente nos organismos internacionais (OIs) após a década de 1970. Em 1975 a Organização de Cooperação e de Desenvolvimento para o Comércio (OCDE), estreia a noção e em 1979 usa o termo como palavra chave em programa experimental: Forecasting and Assessment in the Field of Science and Technology, FAST, que inicia oficialmente em 1980.
No campo das ideias, os OIs, incluindo o Banco Mundial, aderem ao debate do lado dos pós-industriais e pós-modernos. Entre as evidências se encontra, na atualidade, o seu documento publicado em 2003: Lifelong Learning in the Global Knowledge Economy. Em português: Aprendizagem Permanente na Economia Global do Conhecimento
O Banco Mundial desenvolveu uma Metodologia de Avaliação do Conhecimento (KAM), por meio da qual se elaboram os Índices da Economia do Conhecimento (KEI).
O KAM consiste em 81 variáveis estruturais quantitativas e qualitativas para 132 países, que servem para avaliar sua performance nos 4 pilares da Economia da Informação, a saber: 1) incentivos econômicos e regime institucional, 2) educação, 3) inovação e 4) tecnologias da informação e comunicação. As variáveis são normalizadas em uma escala de 0 a 10, relativas aos outros países no grupo de comparação.
O conhecimento produzido se transforma em propriedade intelectual. Para Dupas (2007) a propriedade intelectual, PI regulada por meio de um rígido controle da utilização de marcas e patentes, é um dos pilares do sistema de acumulação capitalista global.
Esse rígido controle da PI utiliza-se intensamente das instituições internacionais como Organização Mundial do Comércio (OMC), Banco Mundial (BM) e Fundo Monetário Internacional (FMI), mas, paradoxalmente, começa o questionamento sobre o peso dos custos envolvidos em ações defensivas dessas grandes corporações.
Articulando PI com tecnologia, consideramos que
A tecnologia é fruto do trabalho humano, nela está contida a síntese do trabalho objetivado transposto para as máquinas. A tecnologia não é outra coisa senão trabalho intelectual materializado dando visibilidade ao processo de conversão da ciência, potência espiritual, em potência material, traduzida e protegida por patentes e direitos autorais que têm mantido, como salientado por Saviani, Dupas e Mèzsáros, a hegemonia da classe social que detém o Capital na sociedade (Moraes,2010, p. 324) .
A produção do conhecimento, portanto, não é neutra. Envolve o dispêndio de um trabalho situado no tempo e no espaço onde seus produtores ocupam uma posição de classe. A política têm assinalado, contudo, o benefício daqueles que detém o poder econômico e geopolítico.
Saviani (2007) tem razão quando postula que  "[...] o dominado não se liberta se ele não vier a dominar aquilo que os dominantes dominam. Então, dominar o que os dominantes dominam é condição de libertação" (Saviani, 2007, p. 55).
Socializar, portanto, o conhecimento torna-se cada vez mais imperativo pois não chegamos ao fim da história como pressupõe a ideologia pós-industrial e pós-moderna.

*Raquel de Almeida Moraes é professora associada da UnB, doutora em Educação pela Unicamp e  pós-doutora em Filosofia da Educação pela Universidade de Haifa. Milita na Base Heron de Alencar, do PCB na UnB. 

Referências

DUPAS.G. Propriedade Intelectual: tensões entre a lógica do capital e os interesses sociais. In: VILLARES, F. (Org.). Propriedade Intelectual: tensões entre a lógica do capital e os interesses sociais. São Paulo: Paz e Terra, 2007, p.15-24. Disponível em <http://fido.rockymedia.net/anthro/dupas.pdf>  Acesso em 21/2/12
LYOTARD, J.F. A Condição Pós-Moderna. São Paulo: Loyola, 1989.
MATTELART, A. História da Sociedade da Informação. São Paulo: Loyola,2002.
MORAES, R.A. Institucionalização da EaD nas IES públicas: uma perspectiva histórico-crítica e emancipadora. In: Daniel Mill; Nara Pimentel. (Org.). Educação a Distância: desafios
contemporâneos. 1 ed. São Carlos: EdUFSCar, 2010, v. 1, p. 319-349.
SAVIANI, D. Escola e democracia: teorias da educação, curvatura da vara, onze teses sobre a educação política. 39 ed. Campinas: Autores Associados, 2007.
WORLD BANK. Lifelong Learning in the Global Knowledge Economy.Challenges for Developing Countries. Washington: World Bank, 2003. Disponível em <http://tinyurl.com/azkpdnq> Acesso em 21/12/12

WORLD BANK. Knowledge Assessment Methodology, KAM. 12  Disponível em: <http://web.worldbank.org/WBSITE/EXTERNAL/WBI/WBIPROGRAMS/KFDLP/EXTUNIKAM/0,,menuPK:1414738~pagePK:64168427~piPK:64168435~theSitePK:1414721,00.html> Acesso em 21/12/12


O maior legado de Hugo Chávez é uma histórica revolução democrática


Nenhuma das profundas mudanças sociais no país teria sido possível sem a mudança radical do sistema político

Por Breno Altman

Tantos simpatizantes quanto críticos do falecido presidente venezuelano, em sua maioria, tendem a destacar os feitos sociais como a principal herança de seu governo. Afinal, são inegáveis os avanços conquistados nesses últimos catorze anos, impulsionados por uma liderança que transferiu a receita petroleira, antes apoderada por grupos privados, para um vasto pacote de serviços públicos e iniciativas distributivistas.

A Venezuela apresenta a sociedade com melhor repartição de renda da América do Sul, de acordo com o índice Gini, além do maior salário mínimo regional, atestado pela Organização Mundial do Trabalho.  Registra, na última década, o mais acelerado padrão de crescimento do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do subcontinente, segundo relatório das Nações Unidas. Foi declarada território livre de analfabetismo pela Unesco, em 2006. Não é pouca coisa. Esses resultados foram consequência da universalização de direitos sociais, sob o comando do Estado, em um processo financiado pela progressiva nacionalização dos recursos minerais, especialmente dos hidrocarbonetos, que antes abasteciam as arcas de oligarcas venezuelanos e estrangeiros.

Agência Efe


Última imagem de Chávez com vida foi tirada em Cuba no dia 15 de fevereiro


Provavelmente nada disso, contudo, teria sido possível se Hugo Chávez não tivesse colocado como a primeira e mais importante tarefa a mudança radical do sistema político. Estudioso da experiência chilena de Salvador Allende, o presidente socialista derrubado por um golpe militar em 1973, o mandatário venezuelano sempre afirmou que não se fazem reformas estruturais com as velhas instituições forjadas pelas elites.

Talvez uma estratégia de mudanças sem rupturas pudesse prescindir de transformação política mais ampla. O programa de Chávez, porém, tinha outras características, apontando para medidas de choque contra os monopólios privados, os latifúndios e o imperialismo. Seu discurso assumiria, com o passar do tempo, declarada perspectiva anticapitalista, enfeixado sob o conceito de “socialismo do século XXI”.

Não foi à toa que, amparado por instável maioria parlamentar, sua batalha inaugural foi pela convocação de uma Assembleia Constituinte que refundasse o Estado, dotando-o de mecanismos democráticos que ampliassem a participação das camadas populares e reduzissem a influência dos antigos grupos que, até então, partilhavam o poder entre si. O radicalismo da pauta política, nos primórdios da gestão do falecido dirigente, era o destacamento avançado de uma agenda que ainda apontava para reformas econômicas bastantes moderadas.


O novo marco constitucional, que fundava a Quinta República, trouxe no seu bojo instrumentos democráticos inéditos. Além de instituir mecanismos plebiscitários, de caráter impositivo, que poderiam ser convocados tanto pelo parlamento e o governo quanto por iniciativa de cidadãos, a Constituição também adotou a possibilidade de referendos revogatórios de todos os mandatos, inclusive o presidencial, desde que estivesse cumprida metade do termo e ao menos 20% dos eleitores subscrevessem a convocação.

O próprio Chávez enfrentou votação dessa natureza, em 2004, na qual manteve seu mandato por larga maioria. Muitos governadores, prefeitos e deputados não tiveram a mesma sorte e foram afastados. O objetivo dessas medidas, entre tantas outras, não era eliminar a democracia representativa, herdada do liberalismo, mas reinseri-la em um cenário no qual as formas de participação direta da cidadania ocupassem o centro das decisões.

Vários capítulos constitucionais versam sobre essa centralidade, ampliando os espaços de soberania popular em todas as esferas do Estado. Chávez recorreu às urnas, através de eleições ou consultas, para cada um de seus passos estratégicos. Foram catorze processos eleitorais gerais desde 1998, sempre com a presença de observadores internacionais das mais distintas correntes. O ex-presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, chegou a citar o sistema eleitoral venezuelano como “o mais aperfeiçoado do mundo”.

A expansão contínua da democracia participativa, em detrimento da estrutura de representação, minou o peso do empresariado, dos meios comerciais de comunicação e das casamatas mais retrogadas do aparelho estatal, especialmente no sistema judiciário. Provocou o ódio do tradicionalismo, mas deu a Chávez base popular para integrar o conjunto das instituições à transformação política em curso.
Recentes avanços

Nos últimos anos, novas empreitadas foram consolidando esse projeto. A mais relevante talvez seja a criação e o desenvolvimento do chamado poder comunal. Trata-se de pequenas áreas geográficas, distritos ou bairros, que funcionam como instituições políticas, mas também podem organizar seus próprios serviços públicos, constituir empresas para diferentes atividades e receber financiamento direto do governo nacional. Busca-se, assim, horizontalizar o Estado e esvaziar os estamentos burocráticos ainda controlados ou corrompidos pelos antigos senhores.

Ao contrário de outras experiências de identidade socialista, a ampliação da democracia direta não foi acompanhada pela redução de liberdades, mesmo daqueles setores que participaram do golpe de Estado em 2002. Nenhum partido político foi fechado ou proibido. Nenhum jornal ou revista deixou de circular por ação do governo. Praticamente todas as concessões de rádio e televisão foram mantidas, com a exceção da RCTV, que violou seguidamente as normas legais, mas pode continuar sua transmissão como canal a cabo.

O que ocorreu foi uma multiplicação dos veículos impressos e eletrônicos, particulares e públicos, afetando o controle que a mídia tradicional detinha sobre a informação social e a disputa de valores, mas permitindo que novas vozes passassem a ser escutadas pelo país.

O presidente Hugo Chávez também enfrentou com prioridade a questão militar, particularmente após a intentona para derrubá-lo do governo. Afirmava que não repetiria, nessa seara, o erro de Allende. Sua frase preferida: “nossa revolução é pacífica, mas armada”.

Tratou de promover oficiais leais ao processo revolucionário, alterando programas de formação e doutrinas que significassem a defesa do antigo regime, trazendo as forças armadas para um papel ativo na construção política e econômica do projeto bolivariano. A consolidação de sua hegemonia entre as distintas estruturas de segurança, assim o compreendia, era a salvaguarda indispensável para que não fosse abortado o nascimento das novas instituições e do modelo de nação que defendia.

Esse processo levou a uma profunda politização, com a batalha de ideias assumindo todos os espaços públicos, à direita e à esquerda. Inúmeros movimentos e organizações foram criados. O próprio Partido Socialista Unificado da Venezuela, principal agremiação governista, nasce desse ambiente incentivado pela radicalização democrática.

O presidente Chávez, por fim, somou seu ativismo pedagógico às mudanças institucionais, com um viés lincolniano. Não compreendia o papel do chefe de Estado como um árbitro acima das classes ou um gestor de interesses supostamente comuns a todos, mas como um líder escolhido pela maioria do povo para representar determinado projeto de nação e forjar a mobilização necessária para vencer seus adversários.

Por essas e outras, nada é tão importante no legado de Hugo Chávez Frias como a revolução política que comandou. Ao contrário do que propala parte da mídia, e levando a cabo o que para outros não passa de mera retórica, a essência da experiência chavista está na radicalização da democracia.

* Breno Altman é diretor editorial do site Opera Mundi e da revista Samuel


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Manifesto de Ocupação do MTST - Novo Pinheirinho - DF



Manifesto de Ocupação
O Movimento dos Trabalhadores sem Teto faz mais uma ocupação no DF. Aqui, na capital do país, onde a especulação imobiliária impera, onde o déficit habitacional não diminui, apesar das promessas, e, sobretudo, onde os movimentos sociais são brutalmente reprimidos. Não se pode achar, portanto, que os trabalhadores e as trabalhadoras vão parar de lutar! Isso seria menosprezar o histórico de lutas dessa classe esquecida pelo Partido que diz ser dos Trabalhadores. O MTST, ao contrário, sempre estará ao lado do trabalhador. Nas lutas, nos avanços, nas perdas. É por isso, então, que ocupamos, com as mãos do povo, para uma gestão coletiva, o famoso esqueleto abandonado do Pistão Sul, na região de Taguatinga.
Mais uma vez estamos ocupando por um direito básico: moradia. E não reivindicamos nenhum direito desconhecido ou inovador. Pleiteamos o que está no nosso documento político principal, o que diz os rumos que nós, como povo e nação, quisemos traçar em 88. Pleiteamos o que está escrito na Constituição. Ocupamos terra, então, como mecanismo de luta por moradia digna para centenas de cidadãos constantemente tratados como se fossem menos cidadãos que aqueles do Lago Sul, que por anos ocuparam terras sem título e para os quais foram concedidos os terrenos. Ocupamos terra para mostrar que acreditamos na igualdade como princípio básico da convivência humana e que, por isso, não aceitamos que um projeto invista bilhões em um estádio de futebol, mas não se preocupe com a moradia das famílias pobres. Ocupamos terra, enfim, por acreditarmos mais na democracia que aqueles que hoje estão nos cargos públicos. Por acreditarmos que a minoria (não em quantidade de pessoas, mas em quantidade de dinheiro) ainda pode ser escutada. Por acreditarmos que nosso grito sensibiliza quem acredita na justiça social. Por acreditarmos que ainda é possível uma decisão correta pra quem sofre há anos. Somos famílias sem teto, milhares no DF, milhões no Brasil.
Assim como nossos direitos não nasceram ontem, mas são, sim, condição de existência, nossa luta é contínua: em 2010, ainda no governo tampão, houve uma ocupação nossa e um consequente acordo. Acordo cujo o governo traiu. Em 2011, consequentemente, ocupamos outra terra. Dessa vez, depois de quatro dias nessa terra (que foi assumida como sendo pública pela Terracap e hoje está a venda por um proprietário particular), passamos dois dias no Palácio do Buriti e nove dias no Ministério das Cidades. Houve mais um acordo, que consistia em bolsa aluguel e compromisso de garantia das casas. Ele também foi rasgado pelo governo em menos de dois meses.
Em 2012 as mesmas famílias, acrescidas de outras já desiludidas também com a espera, ocuparam uma terra na Ceilândia, num local que tinha uma suposta destinação específica há mais de 8 anos, e que poderia abrigar todas aquelas famílias. Depois de mais de um mês de ameaças, repressão, processo judicial e enrolação o GDF se comprometeu a cadastrar a entidade do movimento, viabilizar a construção das casas e estruturar uma política de auxílio-moradia. Em contrapartida, o MTST cumpriu sua palavra e junto com as famílias desocupou a área, que até hoje continua vazia. Após 3 meses de auxílio-vulnerabilidade para menos da metade das famílias do acampamento, o governo parou de cumprir todas as partes do acordo. Sugere prazos virtualmente impossíveis de se cumprir – mas que o movimento cumpre – e apresenta acompanhamentos que não significam nada de fato. Mas para os governos isso é um problema de leis e documentos, de projetos que se defendem.
O único programa habitacional que existe no DF já mostrou a que veio: enganar trabalhador. Os valores não estão de acordo com a renda das famílias que, para aceitar o financiamento do governo, teriam que comprometer quase toda sua renda. O GDF é, no mínimo, irresponsável ao afirmar que tem enfrentado a questão da moradia. Chamar famílias para apresentar documentos e apresentar propostas inviáveis não é fazer política habitacional. As escrituras que estão sendo distribuídas supostamente cumprem papel na efetivação do direito de propriedade, mas as milhares de famílias sendo despejadas no DF (valores que são impossíveis de se saber ao certo, pela falta de transparência do governo), a não construção de casas para as famílias (a maior parte já estava em andamento nos outros governos) e a proteção de um direito de propriedade desvinculado de sua necessária função social vão exatamente na contramão!
O esqueleto abandonado, onde agora se instala o Novo Pinheirinho, tem um título de posse de quase 30 anos, e quem mora no DF sabe que depois que houve uma construção há mais de 20 anos, aquilo está largado, só servindo para o enriquecimento dos donos através da especulação imobiliária. Nesses 30 anos o prédio já foi quase demolido, e continua sem cumprir a função social da propriedade, como manda a Constituição da República.
Esta região é central – o que a transforma num local adequado para a moradia de trabalhadores – e é foco da especulação imobiliária no DF: mais apartamentos para a classe alta, mais lucro para quem já é muito rico e os trabalhadores a ver navios! Ao invés de esperar o empresário se dar bem com todas as facilidades do governo, propomos que este esqueleto seja requalificado, se tornando moradia digna para centenas de famílias e que o DF tenha estruturada uma verdadeira política urbana!
O Novo Pinheirinho se desperta novamente. As famílias que agora fazem esta nova ocupação a fazem com um grito de Paz e um grito de Justiça. Paz porque não se faz ocupação por prazer, por diversão ou vandalismo. A ocupação ocorre para proporcionar vida digna às famílias. Vida onde as crianças podem ser educadas com qualidade, onde a violência passará longe. Por isto também, desde já repudiamos qualquer ação violenta contra o movimento.
Mas o Novo Pinheirinho também se desperta com um grito de Justiça, para denunciar a enganação do GDF! Para escancarar o compromisso dos nossos governos com a especulação imobiliária! Para representar toda a insatisfação do povo do DF com este governo! E o mais importante para efetivar o direito à moradia digna no Distrito Federal!
Ocupar e resistir por:
-Moradia digna para as famílias ocupadas;
-Requalificação do prédio abandonado, garantindo a construção de habitação social;
-Fim da criminalização movimentos sociais
O Novo Pinheiro está de volta por Liberdade, Justiça e Paz!
MTST! A Luta é pra Valer!Brasília, 04 de janeiro de 2013

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Base Heron de Alencar tem nova coordenação em 2013


Em sua primeira reunião em 2013, a Base Heron de Alencar, destacamento do Partido Comunista Brasileiro na Universidade de Brasília, elegeu sua nova coordenação. Composta pelo camarada Thiago "Ventania", estudante de Ciências Sociais, na coordenação e pelo camarada Robson, educador formado pela Faculdade de Educação Física/UnB na coordenação de finanças.  A nova coordenação foi eleita sob os princípios do centralismo democrático, base fundamental para uma organização marxista-leninista.
2013 será um importante ano para os comunistas, realidade expressa na necessidade de combate a crescente onda anti-comunista e seus impactos na universidade.

Coordenação Base Heron de Alencar -2013:

Thiago Souto de Andrade (Ventania)
Robson Novoa dos Santos



sábado, 15 de dezembro de 2012

DE MARX AO MARXISMO DE HOJE




Frank Svensson – 19.10.2003 
                                          
A revolução russa (1917), bem como, a revolução alemã, a chamada república de Weimar (1918/19), delimitam um período do desenvolvimento do marxismo. Pela primeira vez dois partidos socialistas adotaram-no declaradamente como ideologia ao deter o poder do estado. Evidenciaram-no como uma das principais correntes de pensamento do século XX.  À diferença da época anterior, o marxismo ganhou sua Meca. Passou a gozar de referencias geopolíticas concretas das quais captar orientação, não se limitando mais a pronunciamentos individuais de personalidades como Engels, Kautsky, Plechanov e outros.

Desde 1920 até os anos 70 o marxismo-leninismo oriundo da experiência soviética e da dos países do leste europeu marcou o desenvolvimento do marxismo. Os marxistas da socialdemocracia praticamente desapareceram ou foram ligados a distintas distorções do marxismo. Após a segunda Grande Guerra diminuiu ainda mais a liderança teórica de pensadores individuais. No ocidente o desenvolvimento do marxismo como corpo teórico voltou-se para o mundo acadêmico. Segundo Susan James esses novos teóricos marxistas, à diferença de seus antecessores não viram a obra de Marx como fonte de previsão do futuro ou como elaboração de um manual de ação revolucionária, mas como origem de um rico e instigante método  explicativo da realidade.1

Com a divisão do socialismo internacional entre comunistas e socialistas, com as contradições entre marxistas revolucionários e partidos institucionalizados, e entre distintos enfoques de marxismo teórico, a original dialética de Marx (entre conhecimento histórico, revolução, teoria econômica e organização do movimento obreiro) decompôs-se em suas partes.  Essa desintegração daquilo que um dia constituiu a obra total de Karl Marx é talvez a principal característica e problema do marxismo dos nossos dias.  Essa divisão em áreas distintas, com diferentes projetos, diferentes tendências teóricas e distintas práticas é hoje tão flagrante que é de se perguntar o que restou do projeto original de Marx. Sua totalidade dialética constituía um sistema que era garantido por relações internas de componentes condicionantes uns dos outros.

Nem a teoria de Marx (filosofia e economia) ou a prática (estratégia revolucionária e organização dos trabalhadores como classe) baseou-se em algo fora dos homens, entendidos em suas atividades, dentro de condições históricas particulares. A grande diferença entre a síntese de Marx  e as dos que vieram depois decorre dele incluir o concreto trabalho humano em sua dialética histórica.

O sistema filosófico de Hegel, composto da lógica dialética, da filosofia da natureza e da filosofia do espírito 2, formava ele também uma totalidade na qual as distintas partes eram dependentes umas das outras. Essa maneira de relacionar distintas áreas da realidade entre si como partes de uma totalidade necessária era característica tanto para Hegel como para Marx, bem como para o marxismo inicial. É justamente nisso que se percebe a continuidade entre Hegel, Marx e os primeiros marxistas. O que os distinguia eram as partes constituintes das respectivas totalidades e como por sua vez produziam distintos conceitos sobre os elementos mantidos no desenvolvimento do marxismo daí decorrente.

A principal mudança de Hegel a Marx foram suas restrições quanto ao conceito hegeliano do absoluto, ou seja, o entendimento de uma ideia ou de um espírito existente desde o surgimento do universo e independente da historia humana. Para Hegel a natureza objetiva era expressão dessa ideia já num segundo estágio, o de quando ainda não tinha consciência de si mesma. Condição básica para a estruturação de todo o sistema de Hegel. A crítica de Marx à noção hegeliana do absoluto baseava-se na crítica naturalista que Feuerbach fez de Hegel, e em Feuerbach concebendo   a sua totalidade no realmente terreno e no homem dotado de sentidos.
À diferença de Feuerbach, Marx via esse homem como ser objetivo e ativo, atuando em circunstâncias historicamente determinadas. Desenvolveu uma filosofia da história de conteúdo totalmente distinto da de Hegel.  Segundo Marx a essência da história humana reside no desenvolvimento de suas forças produtivas dentro de suas condições sociais e não como queria Hegel afirmando o desenvolvimento espiritual dos homens como a questão central.

A economia constituía em Marx a base das relações sociais, ou seja, do comportamento social dos homens. O restante da totalidade de Marx, a elaboração de uma estratégia da revolução socialista, compunha-se de duas partes: 1) a teoria da revolução socialista e  2) a teoria e o trabalho de organização da classe obreira. Aqui também havia uma interdependência das partes, ou seja, não é possível entender a teoria da revolução de Marx desligada da teoria da organização da classe obreira e vice-versa. Condições históricas fizeram, no entanto, com que essas duas partes se separassem ao correr do tempo.

O conceito de totalidade de Marx baseia-se numa práxis filosófica de caráter político tendo a práxis revolucionária como sua principal categoria. Sem a mesma as demais partes da totalidade de Marx podem facilmente ser vistas como isoladas umas das outras. Vê-se então, por um lado, a revolução socialista em resposta a uma necessidade histórica e econômica objetiva dependente de uma práxis revolucionária, e, por outro lado, a organização da classe trabalhadora como um movimento em si independente de práxis revolucionária. Nesse caso a totalidade de Marx pode facilmente ser reduzida a uma teoria da história, bem como, a uma teoria econômica, ambas objetivas mas independentes do processo histórico do qual participam, tanto como teoria sobre a história como como teoria sobre a economia capitalista para a continuidade da história e como teoria da revolução socialista.

Mesmo se a ideia de um socialismo científico, baseado em leis dialéticas, foi importante para a vitória do marxismo como ideologia de movimento, há que considerar que o seu desenvolvimento teve como determinantes as condições sociais e políticas reais da Alemanha e da Rússia. Na Alemanha existia já em 1880-90 um movimento obreiro politicamente orientado para o socialismo, mas faltava um movimento revolucionário que com todos os meios lutasse pela queda do regime reinante. Na Rússia dava-se o contrário. Lá havia a mais de meio século uma tradição de luta clandestina revolucionária, mas sem um movimento operário autônomo. Foi pelo marxismo que o movimento operário alemão teve sua identidade caracterizada como revolucionária, enquanto que o movimento revolucionário russo teve suas raízes no proletariado teoricamente identificadas pelo marxismo. Com a ajuda do marxismo podia-se ignorar o fato que o movimento operário alemão não era, e nunca havia sido, um movimento revolucionário da mesma forma que na Rússia com a ajuda do marxismo foi possível legitimar o surgimento de um movimento operário independente e muitas vezes em contradição com a intelectualidade revolucionária daquele país.

Quando nos anos 1890 a tendência reformista do movimento alemão, bem como, a tendência economicista do movimento obreiro russo começou a despontar, a ideologia do marxismo teórico viu-se desafiada. Na Alemanha perguntava-se se o movimento operário era realmente revolucionário enquanto na Rússia se questionava a posição do movimento operário em face da revolução burguesa.

Outra tendência de se notar foi a de uma maior compreensão pela dialética da natureza desenvolvida por Engels, do que do conceito de atividade humana apresentado por Marx. O desenvolvimento do capitalismo e sua passagem para uma sociedade socialista foram em muito entendidos como decorrentes de um processo histórico sujeito a leis similares às da natureza. Mesmo se a ideia de um socialismo científico (à guisa das leis da natureza) baseado em leis dialéticas foi importante como ideologia do movimento comunista, o desenvolvimento e conteúdo do marxismo foram determinados muito mais pelas relações políticas e sociais das condições concretas e factuais. Na Alemanha, como já vimos, havia um movimento operário organizado e voltado para o socialismo, enquanto que a Rússia detinha uma tradição de meio século de trabalho de oposição clandestina ao regime tzarista. Essa dualidade histórica do desenvolvimento do marxismo tornou a dialética -- como síntese entre filosofia da história, teoria econômica, movimento revolucionário e organização da classe operária – problemática.

São conhecidos os esforços de personalidades como Bernstein, Lênin e Rosa de Luxemburgo por resolver o problema. Condições idênticas às de Marx e as de décadas após não voltaram a se apresentar. Marx foi quem inegavelmente apontou certos processos fundamentais da economia capitalista melhor do que qualquer um de seus concorrentes, como por exemplo: a vitalidade da economia capitalista, seu poder de concentração e centralização e o inevitável das crises econômicas. Conseguiu prever que a classe trabalhadora tornar-se-ia uma classe específica da sociedade burguesa e que no desenvolvimento do capitalismo dar-se-ia um movimento social e político entre os trabalhadores. Nisso residiu e reside ainda a força do corpo teórico e do exemplo de vida de Marx.

Os seus esforços por uma síntese das condições burguesa e proletária, do objetivo e do subjetivo, de materialismo e de idealismo, de ciência e de crítica, de reforma e de revolução, resultaram após a sua morte numa ciência objetiva materialista revolucionária com sua expressão maior no marxismo-leninismo. Foi nele que se quis manter a ação recíproca dos componentes da totalidade reconhecida por Marx. Em muito por formas afins às da dialética da natureza. O grande desafio de nossos dias passa pelo reconhecimento ativo de o marxismo fundamentalmente constituir um corpo teórico identificado por seu caráter ativo e político. Pelo esforço em favor da síntese contemporânea de seus componentes essenciais. Para tanto não bastam as ações e reflexões individuais por mais interessantes e instigantes que possam ser. Implica a ação e reflexão resultante de formas socialmente organizadas entre as quais os partidos e agremiações que se querem de base marxista são chamados a assumir um papel de vanguarda.3


No t a s :

1 - Susan James no capitulo sobre “Louis Althusser” em Skinner, Quentin: Return of Grand Theory in the Human Sciences. Cambridge 1985.

2 - A Filosofia do Espírito de Hegel é constituída de três partes: Espírito subjetivo, que trata do que se poderia denominar questões psicológicas, bem como, das aptidões do ser humano como ser pensante; Espírito objetivo que trata o espírito corporificado na sociedade humana, ou seja, sua Filosofia da História e Filosofia Política; e finalmente Espírito absoluto que trata do conhecimento absoluto de si mesmo expresso na arte, na religião e na filosofia.

3 – De Per Manson: Fran Marx till Marxism – En studie av Karl Marx och marxismens framväxt (De Marx ao marxismo – Um estudo sobre Carlos Marx e o desenvolvimento do marxismo). Röda Bokförlaget, Gotemburgo, 1987.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Eleições do DCE na UNB: Reacionarismo e Barbárie



                Na última terça-feira dia 27 de novembro às 12:30 horas no Anfiteatro 11 do Instituto Central de Ciências - UnB as 06 Chapas que estão em campanha para as eleições do Diretório Central dos Estudantes – DCE da UnB realizaram um debate para apresentação/discussão de programas e propostas. Momento importante e legítimo de organização estudantil é também um termômetro importante para a apreensão de quais projetos estão em disputa e o que eles representam para a vida acadêmica e o que expressam das contradições e conflitos que atravessam a própria sociedade.
                Neste debate e, a própria campanha, não obstante o fato de existirem 06 chapas, revela claramente duas forças em disputa: os segmentos de direita e reacionários de um lado, e, uma articulação de esquerda.
                O debate de terça-feira, deixa clara a necessidade de uma tomada de posição efetiva dos setores progressistas e de esquerda da universidade em torno de um projeto que contraponha radicalmente esta direita reacionária que ai está. Ademais todo o legalismo, a visão privatista da universidade pública, a ausência de posicionamento e crítica em face do governo distrital e federal que garantem o aprofundamento da educação como mais um serviço vendável, mais uma mercadoria como todas as outras; o debate de terça-feira revelou também a barbárie social expressa nas opressões sociais que são tão amplamente difundidas na sociabilidade.
                O preconceito que se efetiva sob diversas formas de discriminação é uma realidade que atravessa a vida de mulheres e homens. A diversidade humana que se expressa na etnia, no gênero, na orientação sexual no modo de ser e viver tem sido espaço fértil para diversas modalidades de opressão. Na terça-feira manifestações abertas e claras de racismo apresentaram-se durante o que deveria ser um debate realmente político.
                Nós comunistas somos radicalmente contrários ao racismo, porque enquanto forma de opressão particular ele revela também uma dimensão universal, aquela que remete a sociabilidade sob a égide do capital que convive ou reinventa formas de arrefecer a existência humana tornado-a tão banal como o sentido descartável dos objetos que são produzidos e consumidos. E, também porque o racismo assim, como todas as outras formas de opressão, evidencia a nossa perda de reconhecimento da nossa genericidade. Reafirma-se uma sociabilidade de “eu” incapaz da “consciência de nós”.
                O que foi posto as claras no debate dos estudantes, demonstra o legado do capitalismo para esta e as próximas gerações: mais barbárie, mais conformismos, mais indiferença, mais intolerância. 
                Diversas são as trincheiras nesta luta que podem e devem ser ocupadas seja na educação, na política, nos movimentos sociais, nos partidos, nas artes... em todos estes âmbitos existem sim especificidades próprias, mas com certeza o que articula tudo isso é a necessidade de combate não só ao neoliberalismo e ao reformismo, mas imprimir a todas as lutas um caráter anti-capitalista.      

Por Adrianyce Angélica Silva de Souza. Base Heron de  Alencar / PCB